Autismo

A sobrecarga não é uma birra

Em resumo

Alguém já disse que o seu pequeno «faz muitas birras»? O que você está vendo provavelmente não é uma birra: é uma sobrecarga. As duas situações se parecem muito, mas são completamente diferentes. A birra busca alguma coisa — um brinquedo, mais um tempo no parque — e termina quando a criança consegue o que quer. A sobrecarga não busca nada: é o corpo liberando uma pressão que já não consegue conter. E se resolve de outra forma.

Qual é a diferença?

  • A birra. Existe um objetivo: o brinquedo, o doce, ficar mais um pouco. Precisa de público e, quando a criança consegue o que quer — ou entende que não vai conseguir —, acaba.
  • A sobrecarga. Não existe objetivo nem público. O corpo passou a manhã inteira acumulando barulho, mudanças e cansaço e libera tudo de uma vez. Não há nada a conseguir: termina quando a pressão diminui.
  • Os sinais aparecem antes. Antes de uma sobrecarga, quase sempre há sinais: as mãos vão até os ouvidos, o corpo balança, o lápis aperta cada vez mais forte. Algumas crianças gritam ou jogam coisas; outras se apagam: abaixam a cabeça e param de falar. Nos dois casos, precisam da mesma coisa.

O que você pode fazer quando isso acontece

  • Menos ruído, menos pessoas e menos perguntas. O «o que aconteceu?» é mais ruído no pior momento.
  • Fale baixo e espere. Durante uma sobrecarga, a criança não consegue acompanhar explicações.
  • Ofereça água e o lugar tranquilo dela, sem obrigar.
  • Depois vêm o cansaço e, muitas vezes, a vergonha. Não é preciso repreender: ela já está sofrendo.
  • Não dê bronca nem peça explicações naquele momento. As perguntas podem esperar até o dia seguinte. Com calma, a conversa ajuda os dois.

Perguntas frequentes

Ele faz isso para chamar a atenção?

Não. A birra precisa que alguém esteja olhando; a sobrecarga acontece igual sem ninguém por perto. Muitas crianças aguentam a manhã inteira e entram em sobrecarga em casa, onde ninguém está olhando.

E se acontecer na rua ou em público?

Faça o mesmo e, se puder, reduza o número de pessoas ao redor. Afaste a criança um pouco do barulho, fique na altura dela e espere.

O que acontece depois?

Vêm o esgotamento e, muitas vezes, a vergonha. Um tempo de descanso, água e você ao lado, sem perguntas, é o que mais ajuda a se recuperar.

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Iris Green

Escreve sobre neurodivergência: guias práticos para famílias, professores e adultos, e ficção ilustrada. Sobre mim